
A saúde agradece
Campanhas educacionais e restrições à propaganda deixam o tabagismo fora de moda no Brasil
Fonte: Renan Magalhães, Agência Anhanguera, 17 de fevereiro de 2009
O número de brasileiros fumantes está em queda. Uma pesquisa da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) aponta que, entre os anos de 2003 e 2007, o número de fumantes caiu de 20% para 16% do total da população. O levantamento, que foi produzido pelo Ministério da Saúde, ainda revela que os homens têm maior facilidade para deixar o vício: 25,8% deles conseguiram, contra 18,6% das mulheres.
Para a diretora da organização não-governamental Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), Paula Johns, a pesquisa não deve servir de parâmetro para mensurar o total de fumantes no País em razão da metodologia adotada. Ainda assim, ela garante que é inegável o fato de que a população de fumantes está decrescendo. “Trata-se de uma pesquisa feita por telefone e restrita apenas a capitais, mas os indícios apontam que a redução dos consumidores de cigarro ocorre desde o final da década de 90”, aponta.
MEDIDAS. Na opinião da diretora, a queda do número de fumantes se deve a um conjunto de medidas que está sendo adoto na última década. “São medidas comprovadamente eficazes no mundo inteiro, como a restrição da propaganda, as imagens de advertência publicadas no maço e o crescimento dos ambientes livres de fumo. Hoje, também a população está mais bem informada”, ressalta.
Paula avalia que as políticas antitabagistas devem agora ser direcionadas para a população mais jovem, com o objetivo de prevenir a iniciação ao fumo. “O preço do cigarro no Brasil ainda é um dos mais baratos do mundo e as baladas também permitem o consumo no ambiente. São dois fatores que influenciam na iniciação de muitos jovens”, afirma.
Tem gente na contramão
Se as campanhas antitabagistas estão cada vez mais acintosas, os fumantes ainda resistem bravamente. Pelo menos essa é a afirmação do vendedor Alexandre Perluize, de 23 anos, e que fuma há 5 anos. “Não acho que tenha crescido tanto o preconceito contra fumantes. Mas é preciso um bom senso, já que ninguém é obrigado a respirar a fumaça alheia”, diz.
O administrador Fábio Guimarães, de 30 anos de idade sendo 14 como fumante, também procura não prestar muita atenção nas advertências que às vezes lhe são direcionadas ao acender um cigarro. “Não dou muita bola para esse tipo de coisa. Mas sempre procuro respeitar o ambiente em que estou antes de fumar”, atesta.
Já o analista financeiro Rodinei Colombo, de 27 anos, até tentou parar com o cigarro por um período, mas acabou voltando ao vício. “Eu fumo porque gosto mesmo, independente de todas as restrições existentes. Voltei para aliviar o estresse. Hoje em dia é difícil poder fumar. Todo mundo reclama.” (RM/AAN)
Link original accessado em 17-02-2009
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